Por Trás das Câmeras: "Bastardos Inglórios" e os Segredos (nada discretos) de Tarantino
Se você curte filmes que misturam tensão, ação, diálogos memoráveis e aquele toque de humor, já deve ter ouvido falar em Bastardos Inglórios , de Quentin Tarantino. Mas o que resta saber é a quantidade de histórias malucas, decisões ousadas e curiosidades que existem por trás das câmeras desse clássico moderno.
Então, bora descobrir o que rolou nos bastidores desse filme que demorou 10 anos para ficar pronto e tem um nome que até parece escrito errado?
O roteiro que quase virou lenda (literalmente)
Tarantino começou a escrever Bastardos Inglórios muito antes de outros filmes que se tornaram famosos, como Kill Bill . A ideia era criar um épico de guerra, mas com a cara dele: personagens fortes, violência estilizada e muito, muito diálogo intenso.
Ele passou 10 anos escrevendo e reescrevendo a história, até conseguir chegar à versão final. A primeira versão do roteiro tinha 222 páginas — o que, no cinema, é tipo um filme de três horas e meia. Então, ele precisa cortar várias cenas e enxugar diálogos para deixar uma narrativa mais ágil.
E, mesmo com toda essa demora, a história ainda surpreendente: Tarantino literalmente reescreveu a Segunda Guerra Mundial! No universo do filme, Hitler não morre como na vida real. E, se você já assistiu, sabe exatamente o que acontece na sala de cinema.
Um vilão quase impossível
Um dos maiores acertos do filme foi o personagem Hans Landa, o “caçador de judeus”, que mistura frieza, estilo e crueldade como ninguém. E pasme: o papel quase foi de Leonardo DiCaprio.
Mas Tarantino mudou de ideia. Ele viu que, como o filme tinha muitos diálogos em alemão e francês, faria mais sentido escalar um ator fluente em alemão. Resultado? Christoph Waltz, um ator austríaco que poucos conheciam, foi chamado e roubou a cena.
Aliás, Tarantino chegou a dizer que, se não encontrasse o ator certo para Landa, nem faria o filme. Ele interpretou o personagem complexo demais para ser interpretado “mais ou menos”.
E tem mais uma bizarrice criativa: o diretor proibiu Waltz de participar dos ensaios antes das filmagens. Segundo ele, o personagem era divertido demais pra ser revelado fora das cenas oficiais.
Curiosidades que você (provavelmente) não sabia
Agora, vamos ao que a gente mais ama: os fatos curiosos e os detalhes escondidos!
Título “errado” de propósito?
O nome original do filme é Inglourious Basterds . Sim, com a ortografia errada mesmo. Tarantino nunca explicou totalmente o motivo, mas disse que foi “por estilo”. Ele queria um nome diferente, que fosse só do filme dele. E funcionou, né?
O filme dentro do filme
Durante o longa, vemos a exibição de um filme de propaganda nazista chamado O Orgulho da Nação. Ele foi todo criado especialmente para Bastardos Inglórios e teve direção de Eli Roth (que também interpreta o “Urso Judeu” no filme). A ideia era que o público se sentisse realmente observado ao evento, com todo o absurdo que isso envolve.
Referências por todos os lados
Tarantino é viciado em cinema, e Bastardos Inglórios está lotado de homenagens: ao cinema europeu, aos westerns, ao expressionismo alemão e até a Hitchcock. Por isso, muitos personagens têm nomes inspirados em figuras reais ou fictícias do mundo cinematográfico.
Cena de abertura = tensão pura
A primeira cena, com Hans Landa interrogando o fazendeiro francês, é considerada uma das melhores aberturas do cinema moderno. Foi uma das últimas cenas escritas por Tarantino, porque ele sabia que tinha que impactar.
Detalhes que fazem a diferença
- O ator Til Schweiger (Hugo Stiglitz) só aceitou o papel porque poderia matar nazistas (ele decidiu usar uniformes nazistas em filmes, mas abriu a exceção aqui).
- O cinema onde acontece o clímax do filme foi construído do zero só para a cena final do filme. Isso mesmo: foi tudo real. Nada de CGI!
Conclusão: quando o “bastardo” é genial
Bastardos Inglórios não é só um filme com cenas incríveis e atuações memoráveis: é, também, um baita exemplo de como um projeto pode levar anos para se concretizar e de como cada escolha criativa, por mais maluca que parece, pode fazer toda a diferença no resultado final.
É um filme que reinventa a história com ousadia, criatividade e aquele toque “tarantinesco” que a gente aprende a amar (ou odiar).
Curtiu essas curiosidades? Então fique ligado que no próximo post tem mais bastidores de filmes famosos!
Referências
Caso tenha se interessado pelo filme, abaixo, o link do trailer de Bastardos Inglórios:
A.: Pedro Melo